BBB 2011 chegou ao fim. E as polêmicas sobre este programa continuam.
Até o presente momento foram realizadas onze temporadas do Big Brother Brasil. Apenas as duas primeiras aconteceram no mesmo ano, 2002, com pouco mais de um mês entre uma temporada e outra. Todas as outras edições, passaram a ser realizadas uma a cada ano, normalmente entre janeiro e o começo de abril.
Porém, o fato é que há uma curva descendente na audiência, sem freios, do programa. De uma média de 47,5 pontos no BBB5, o Ibope vem caindo ano a ano, alcançando média de audiência 30,7 na décima edição e, sem contar os últimos dois dias, 24,6 no BBB11.
Como se vê, não é um fenômeno recente. Ainda assim, o faturamento com publicidade não deixou de crescer. O recorde batido em 2010 foi novamente superado este ano. Segundo a coluna “Outro Canal”, da “Folha”, o BBB11 ultrapassou a marca de 20 produtos anunciados em merchandisings dentro da casa e bateu o faturamento da décima edição, chegando aos R$ 380 milhões . Ainda vai levar algum tempo para se medir os impactos deste cabo de guerra entre publicidade em alta e a audiência em queda. Levantamento de uma consultoria em mídias digitais, divulgado pela “Folha” mostra que os cinco principais patrocinadores obtiveram uma repercussão muito baixa nas mídias sociais.
Já sob a análise "se vale a pena ver este programa", em 2002, Eugênio Bucci, professor de ética jornalística, publicou contundente artigo em que equipara este reality show ao crime de sequestro (que significa retenção ou encarceramento ilegal de alguém), neste caso às avessas, uma versão circense do delito; para o educador, o programa é de mau gosto em todo o mundo, mas, no Brasil, chega a ser torpe.
Ele compara os participantes a bobos num confinamento prolongado, visando a um sucesso à custa da perda da privacidade e não por um talento, pela qualidade do raciocínio ou por uma obra. Classifica-o como o mais deseducativo programa da televisão, porque passa valores como o de que a fama justifica qualquer humilhação e a conivência dos adultos face às crianças dá a estas a impressão de que o "circo" da exposição é um meio de ser alguém na vida.
Para o professor de ética todos [os participantes] demonstram um pantagruélico apetite pela fama. Desejam mais evidência. A polêmica mais recente do programa foi ter colocado a transexual Patrícia "Ariadna" da Silva. Há outras versões a caminho, você pode apostar, sempre com a mesma lógica: pela fama, tudo é sacrificável.
Em janeiro de 2008, a revista Ilustrada, suplemento do jornal Folha de São Paulo, inquiriu três especialistas em educação e psicologia acerca do conteúdo do programa. Estes foram unânimes em afirmar que não há qualquer conteúdo válido para crianças, existe exploração da sensualidade e que prejudicam a formação da criança, como afirmou Carlos Ramiro de Castro. Já para a professora de psicologia da educação Maria Silvia Pinto da Rocha o programa expõe as crianças à erotização precoce.
Particularmente, não gosto do programa e não concordo com aqueles que dizem que é interessante assistir o "engaiolamento" de pessoas de diferentes naipes e matizes, "visando à observação dos seus comportamentos e reações, sob condições de estresse emocional, psicológico e convivência com temperamentos distintos, em local diferenciado".
Primeiro porque cada vez mais "pessoas de diferentes naipes e matizes" não são a realidade do BBB. Os participantes são quase "pasteurizados", é sempre a mesma coisa: vários loiros e loiras, morenos e morenas, com corpos malhados e estonteantes e, claro, 1/3 do grupo de participantes é "destinado" para negros e gays. Afinal, o programa tem que ser politicamente correto e agradar à todos os públicos.
Segundo porque, em relação a observação do comportamento humano, isso só seria possível se o programa "rolasse" de forma natural e expontânea, permitindo que efetivamente assistíssemos as reações naturais deste grupo. Porém, temos que considerar não se assiste a "realidade" da convivência entre as pessoas: os telespectadores são claramente manipulados, sendo levados a acreditar no que a direção do programa quer que o público acredite. A "verdade" transmitida às grandes massas (que não possuem Pay Per View) é totalmente controlada, podendo criar heróis e/ou vilões apenas pela disposição das imagens na tela, e pela ordem na qual estas são exibidas, tirando toda e qualquer possibilidade de análise do comportamento do grupo.
Desta forma, penso que este programa é uma grande bobagem, regada a sexo e bebidas, que toma um tempo precioso que poderia ser dedicado à coisas mais interessantes, mesmo que estas coisas sejam na própria TV.
Mas o fato é que, independentemente das avaliações individuais (“foi o melhor BBB da história”, “foi o pior”), o programa que já deu tanta alegria e tanto lucro à Globo recebeu um duro recado do público este ano. Veremos se a emissora o ouviu e saberá como responder a ele, ou se quem vai para o paredão em 2012 será o próprio programa.
Em 2008, a Rede Globo renovou o contrato com a Endemol para a exibição do BBB até 2014. Será que dura até lá?


