sexta-feira, 22 de abril de 2011

Invictus


Out of the night that covers me
Black as the pit from pole to pole
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.


In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds, and shall find, me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate
I am the captain of my soul.
Por William Ernest Henley


Tradução Poética
Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por mi’alma insubjugável agradeço.

Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago
Minha cabeça - embora em sangue - ereta.

Além deste oceano de lamúria,
Somente o horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.

Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma.

Tradução literal
Noite à fora que me cobre
Negra como um breu de ponta a ponta,
Eu agradeço, a quem forem os deuses
Por minha alma incansável.

Nas cruéis garras da circunstância
Eu não fiz cara feia ou sequer gritei.
Sob as pauladas da sorte
Minha cabeça está sangrenta, mas não rebaixada.

Além deste lugar de raiva e lágrimas
É iminente o horror da escuridão,
E ainda o avançar dos anos
Encontra, e me encontrará, sem medo.

Não importa o quão estreito seja o portão,
O quão carregado com castigos esteja o pergaminho,
Eu sou o mestre de meu destino;
Eu sou o capitão de minha alma.



quarta-feira, 30 de março de 2011

BBB - Até quando?


BBB 2011 chegou ao fim. E as polêmicas sobre este programa continuam.
Até o presente momento foram realizadas onze temporadas do Big Brother Brasil. Apenas as duas primeiras aconteceram no mesmo ano, 2002, com pouco mais de um mês entre uma temporada e outra. Todas as outras edições, passaram a ser realizadas uma a cada ano, normalmente entre janeiro e o começo de abril.
Porém, o fato é que há uma curva descendente na audiência, sem freios, do programa. De uma média de 47,5 pontos no BBB5, o Ibope vem caindo ano a ano, alcançando média de audiência 30,7 na décima edição e, sem contar os últimos dois dias, 24,6 no BBB11.
Como se vê, não é um fenômeno recente. Ainda assim, o faturamento com publicidade não deixou de crescer. O recorde batido em 2010 foi novamente superado este ano. Segundo a coluna “Outro Canal”, da “Folha”, o BBB11 ultrapassou a marca de 20 produtos anunciados em merchandisings dentro da casa e bateu o faturamento da décima edição, chegando aos R$ 380 milhões . 

Ainda vai levar algum tempo para se medir os impactos deste cabo de guerra entre publicidade em alta e a audiência em queda. Levantamento de uma consultoria em mídias digitais, divulgado pela “Folha” mostra que os cinco principais patrocinadores obtiveram uma 
repercussão muito baixa nas mídias sociais.

Já sob a análise "se vale a pena ver este programa", em 2002, Eugênio Bucci, professor de ética jornalística, publicou contundente artigo em que equipara este reality show ao crime de sequestro (que significa retenção ou encarceramento ilegal de alguém), neste caso às avessas, uma versão circense do delito; para o educador, o programa é de mau gosto em todo o mundo, mas, no Brasil, chega a ser torpe. 
Ele compara os participantes a bobos num confinamento prolongado, visando a um sucesso à custa da perda da privacidade e não por um talento, pela qualidade do raciocínio ou por uma obra. Classifica-o como o mais deseducativo programa da televisão, porque passa valores como o de que a fama justifica qualquer humilhação e a conivência dos adultos face às crianças dá a estas a impressão de que o "circo" da exposição é um meio de ser alguém na vida. 
Para o professor de ética todos [os participantes] demonstram um pantagruélico apetite pela fama. Desejam mais evidência. A polêmica mais recente do programa foi ter colocado a transexual Patrícia "Ariadna" da Silva. Há outras versões a caminho, você pode apostar, sempre com a mesma lógica: pela fama, tudo é sacrificável.
Em janeiro de 2008, a revista Ilustrada, suplemento do jornal Folha de São Paulo, inquiriu três especialistas em educação e psicologia acerca do conteúdo do programa. Estes foram unânimes em afirmar que não há qualquer conteúdo válido para crianças, existe exploração da sensualidade e que prejudicam a formação da criança, como afirmou Carlos Ramiro de Castro.  Já para a professora de psicologia da educação Maria Silvia Pinto da Rocha o programa expõe as crianças à erotização precoce.
Particularmente, não gosto do programa e não concordo com aqueles que dizem que é interessante assistir o "engaiolamento" de pessoas de diferentes naipes e matizes, "visando à observação dos seus comportamentos e reações, sob condições de estresse emocional, psicológico e convivência com temperamentos distintos, em local diferenciado".
Primeiro porque cada vez mais "pessoas de diferentes naipes e matizes" não são a realidade do BBB. Os participantes são quase "pasteurizados", é sempre a mesma coisa: vários loiros e loiras, morenos e morenas, com corpos malhados e estonteantes e, claro, 1/3 do grupo de participantes é "destinado" para negros e gays. Afinal, o programa tem que ser politicamente correto e agradar à todos os públicos.
Segundo porque, em relação a observação do comportamento humano, isso só seria possível se o programa "rolasse" de forma natural e expontânea, permitindo que efetivamente assistíssemos as reações naturais deste grupo. Porém, temos que considerar não se assiste a "realidade" da convivência entre as pessoas: os telespectadores são claramente manipulados, sendo levados a acreditar no que a direção do programa quer que o público acredite. A "verdade" transmitida às grandes massas (que não possuem Pay Per View) é totalmente controlada, podendo criar heróis e/ou vilões apenas pela disposição das imagens na tela, e pela ordem na qual estas são exibidas, tirando toda e qualquer possibilidade de análise do comportamento do grupo.
Desta forma, penso que este programa é uma grande bobagem, regada a sexo e bebidas, que toma um tempo precioso que poderia ser dedicado à coisas mais interessantes, mesmo que estas coisas sejam na própria TV.
Mas o fato é que, independentemente das avaliações individuais (“foi o melhor BBB da história”, “foi o pior”), o programa que já deu tanta alegria e tanto lucro à Globo recebeu um duro recado do público este ano. Veremos se a emissora o ouviu e saberá como responder a ele, ou se quem vai para o paredão em 2012 será o próprio programa.
Em 2008, a Rede Globo renovou o contrato com a Endemol para a exibição do BBB até 2014. Será que dura até lá? 

segunda-feira, 14 de março de 2011

Obama pode discursar na Cinelândia


14/03/2011
 às 5:17 Por Luiz Ernesto Magalhães e Patrícia Duarte, no Globo
O grande momento da visita do presidente americano, Barack Obama, à América Latina já tem data e local marcados: no próximo domingo, no Rio de Janeiro, onde ele fará um discurso aberto aos brasileiros num megaevento público que contará até com show musical. A própria Embaixada dos Estados Unidos no Brasil exaltou o evento neste domingo por meio de mensagens postadas no Twitter, ressaltando que a fala de Obama será um “evento aberto e gratuito” no Rio.
Até então, havia especulações de que o grande discurso de Obama nessa viagem, que começa no dia 19 com sua chegada a Brasília (DF), poderia ser feito no Chile. O presidente americano fica no Brasil até o dia 20, quando estará no Rio, e, em seguida, vai para o Chile e El Salvador.
Encontro direcionado “ao povo brasileiro”Em nota publicada neste domingo à noite, a embaixada americana informou que “Obama fará um discurso no Rio de Janeiro, no domingo, 20 de março de 2011. O evento será aberto ao público e é direcionado a todo o povo brasileiro. Mais informações sobre o discurso serão divulgadas em breve”.
Palco de grandes manifestações políticas do Rio como a Passeata dos 100 mil em 1968, a Cinelândia é o local mais cotado pela assessoria do presidente Obama a para o pronunciamento. O plano discutido com autoridades da União, Estado e o município é que Obama fale no próximo domingo em frente ao Theatro Municipal cercado por um esquema de segurança que deverá levar a alterações no tráfego do Centro. No último sábado, agentes do Serviço Secreto dos EUA estiveram na região fazendo um conhecimento prévio do lugar. A declaração na Cinelândia deve se dar após o presidente visitar uma favela incluída no projeto de Unidades de Polícia Pacificadora (UPP). O mais provável é que a visita seja mesmo a Cidade de Deus por se tratar e uma comunidade plana cuja segurança é mais fácil de ser planejada do que em uma comunidade localizada em encosta como a Favela Santa Marta, em Botafogo.
Segundo uma fonte ouvida pelo GLOBO, Obama deve chegar ao Rio na noite de sábado só deixando a cidade na segunda pela manhã. Ele ficaria em um hotel da Zona Sul com a mulher Michelle e as filhas Malia e Sasha que devem ter agendas paralelas na cidade
Obama fará o que é conhecido como Major International Speak - uma declaração sobre temas da atualidade. Em junho de 2009, num discurso na Universidade do Cairo, o presidente propôs mudanças nas relações entre os Estados Unidos e o mundo islâmico, mas sem oferecer alternativas para acabar com o conflito árabe-israelense.
Outro pronunciamento do gênero ocorreu em abril do mesmo ano em Praga, capital da República Checa. O discurso foi na praça Hradcani. Obama propôs medidas para reduzir e em um futuro eliminar os arsenais nucleares, deter a proliferação de armas nucleares em mais países e impedir que os terroristas adquiram armas ou materiais nucleares.
No Twitter, até “wallpaper” oficial da visitaNa página do Twitter da Embaixada americana no Brasil neste domingo havia também algumas publicações que deixavam claro o entusiasmo com a visita de Obama ao país. Em uma delas, as pessoas poderiam baixar o “wallpaper” oficial da visita do líder americano, com sua foto à frente de desenhos com o perfil do Congresso Nacional e da estátua do Cristo Redentor no Rio. Obama sempre mostrou publicamente simpatia pelo Brasil, reconhecendo que o país tem ganhado importância política e econômica no mundo.

Por GOT, George On Time.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Os 4 Pilares da Comunicação Digital

Já trabalhamos há alguns anos com comunicação digital, mas ela ainda é, sim, nova no Brasil. Há muito para expandir, muito que se aprender e, claro, muito ainda a fazer. Portanto, vejo com grande estranheza o fato de algumas empresas quererem inovar na comunicação e no marketing digital, mas ainda não fazem o básico, que é a construção de um site que represente o DNA da marca e que seja relevante aos usuários.

O usuário de internet é mais exigente, quer conteúdo, quer falar com as marcas e não está mais no site da marca - o meio digital está cada vez mais fragmentado e é preciso entender isso. Acima de tudo, é preciso entender os fundamentos da comunicação digital. Como disse no artigo da semana passada, é impossível inovar sem fazer o básico antes.

Perceba que à medida que as marcas observarem esses pilares, mais terão sucesso no mundo digital. Claro que seguir os quatro pontos que vou propor não é garantia de se ganhar milhões em retorno no investimento feito na web. A lista abaixo é uma visão que eu tenho do mercado, baseado em cases de sucesso, em histórias que são exemplares e que vão ajudar a fazer uma grande diferença nas ações propostas para o meio digital.

Como profissional de planejamento estratégico digital, afirmo que é obrigação nossa - e incluo todos os que trabalham com planejamento - conduzir as marcas ao sucesso; somos nós que pensamos estrategicamente a marca e como o nosso consumidor ou público-alvo interage com ela, e esse comportamento é repassado na web; em resumo, nós pensamos como uma ação na web pode gerar mais vendas no ponto de venda.

01. Engajamento

É a palavra do momento na internet. Há anos que estudamos propaganda e sabemos que a melhor de todas elas é o boca-a-boca. Uma marca pode gastar milhões de reais nos principais veículos de comunicação, mas se o pai, o vizinho ou o amigo do provável cliente disser que o concorrente é melhor, é enorme a tendência de compra do concorrente. Esse comportamento é o que as marcas buscam no engajamento digital, querendo que sua comunicação desperte o desejo do consumidor a indicá-la aos amigos, redes de contato ou incluir um post positivo em seu blog. Não é uma tarefa fácil, afinal, o consumidor está cada vez mais exigente e, por isso, está mais difícil de convencê-lo de que uma marca ou produto é realmente o melhor para ele.

02. Relacionamento

A melhor forma de fazer com que o consumidor se engaje com a marca é se relacionando com ele. “Pessoas que amam, não traem”. Essa frase pode ser manjada, batida, mas não deixa de ser verdadeira. Planners usam o cotidiano das pessoas para pensar em ações para elas, entendemos o que se passa na cabeça do consumidor e como isso pode nos ajudar estrategicamente. “Quem ama não trai”. Isso vale para marcas também. Se relacionar com o consumidor é fundamental! Foi-se o tempo em que enviar um e-mail marketing era se relacionar com o consumidor na web. As redes sociais estão aí, pessoas seguem marcas porque querem falar com elas e serem ouvidas por elas, querem conversar, querem conselhos sobre produtos, saber o que há de novo, querem ler notícias sobre a marca e sobre o cenário onde ela está inserida.

03. Conteúdo

Ninguém segue Twitter parado, entra em comunidade do Orkut “entregue às moscas”  ou volta a site desatualizado. Ninguém compra um smartphone porque é um celular mais bonito, ou abre o browser esperando que algo aconteça do anda,  ou procura um termo no Google por pura diversão. As pessoas vão atrás de conteúdo. Quando o usuário entra no Google e digita “celular com MP3”, quer encontrar notícias sobre o aparelho, saber as melhores opções, ver onde está vendendo, comparar preços, ver o que se fala dos modelos nas redes, enfim, conteúdo que leve a um relacionamento com a marca. Bons conteúdos geram engajamento.

04. Presença Digital

Com a mídia digital cada dia mais fragmentada, as marcas têm que impactar seus públicos em diversas ferramentas. As pessoas não estão mais no sites das marcas e nem apenas no Google. Os usuários de internet estão nas redes sociais, interagindo com pessoas por um interesse comum. Ao se engajar com uma marca, vai indicar nas redes para os seus amigos. O usuário está  no Twitter atrás de notícias - mais um canal em que o conteúdo é essencial -, ou jogando um game online, ou no celular em aplicativos da marca, ou acessando via mobile enquanto vai para o trabalho, ou em sites segmentados (e não apenas nos grandes portais). Ele está pedindo para receber e-mails marketing e newsletters das empresas, está comprando pela web e pelo celular. Enfim, o usuário está, atualmente, em todas as ferramentas da web, atrás de conteúdo relevante.

Percebeu o quanto esses pilares têm ligação um com os outros? É assim que o consumidor se comporta nas redes, é assim que ele interage com outras pessoas. E a sua marca, vai ficar fora dessa?
Fonte: http://lc4.in/MP6I

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Sites de compras coletivas – Oportunidade ou cilada para as PMEs?


Sites de compras coletivas. Oportunidade ou problema para pequenas e médias empresas?Tenho recebido muitos questionamentos de empresários de pequenas e médias empresas  interessados em investir nos sites de compras coletivas. Seduzidos pela rápida expansão desse segmento (que teve aumento de 231% de setembro a novembro, de acordo com o Ibope Nielsen  Online), perguntam se vale à pena investir, se são apenas moda ou vieram para ficar e se vão ter sucesso. Em vez de me arriscar a fazer previsões, prefiro analisar exemplos do passado e aproveitar as lições que nos deixaram.

Um pouco de história

Um dos ancestrais dos sites de compras coletivas surgiu nos anos 80 e fez muito sucesso na TV em São Paulo. O programa era o Shop Tour (que ainda existe, comentaremos mais adiante) e se tornou rapidamente um fenômeno pelos super-descontos  oferecidos, da mesma forma que os atuais sites de compras coletivas.
O programa passava no pior horário possível, na madrugada de sexta para sábado, e ainda assim era campeão de audiência. Até mesmo os baladeiros não perdiam o programa, tudo mundo esperava o final para sair!
Nele se oferecia de tudo: roupas, sapatos, móveis, objetos de decoração, brindes, jóias, material de construção, papelaria e até fraldas. O apresentador e o dono ou gerente da loja iam mostrando os produtos e os preços, sempre com descontos inacreditáveis. O apresentador, muitas vezes não satisfeito reduzia ainda mais o preço, com a relutância do lojista.
O resultado acontecia no início do final de semana. Filas se formavam logo de manhã e antes do meio-dia já haviam esgotado seus estoques!
Shop Tour existe até hoje, embora com outro formato. Da mesma forma, inúmeras empresas passaram pelo programa, mas poucas se sobressaíram além dos descontos que ofereciam. Quando pararam de oferecer produtos com preços muito abaixo da média de mercado, simplesmente sumiram.
Versão moderna do formato, os sites de compras coletivas também têm nos preços baixos o seu maior diferencial, e é aí que mora o perigo. Para chamar a atenção dos consumidores, as empresas focam excessivamente nas promoções, incorrendo em dois grandes riscos. O primeiro é sustentar essa estratégia. Afinal, até quando é possível manter descontos agressivos para se manter em evidência? Mesmo aceitando o argumento de que as “compras coletivas” compensam odesconto, é bom fazer as contas. Quantas pessoas precisam participar para viabilizar um desconto razoável de 30%? E de 90%?

Clientes do preço e não da marca

O segundo risco é criar o chamado “caçador de promoções”, o cliente cujo único interesse é aproveitar o seu desconto. Ele não é fiel à sua marca, produto ou loja, mas aos preços baixos. Se você diminuir a oferta, ele imediatamente vai procurar quem ofereça descontos mais atrativos.
Há ainda um agravante. A proliferação dos sites de compra (levantamento do site Bolsa de Ofertas constatou a existência de 246 sites do gênero até o final de novembro) banaliza as promoções, provocando uma saturação. São tantas as ofertas que eles começam a perder o interesse e talvez você mesmo já esteja passando por isso.
Nesse sentido, investir em sites de compras coletivas se torna um círculo vicioso. É necessário oferecer descontos cada vez maiores para manter o interesse e as vendas, enquanto as margens e a sustentabilidade do negócio diminuem.
Não está se fazendo aqui uma crítica aos sites de compra, muito menos quem neles investe. O modelo de negócios é sério e há vários exemplos de sucesso no Brasil e exterior. Quero apenas fazer um alerta. As empresas não podem escorar sua estratégia unicamente em descontos agressivos. Quando o fôlego para oferecer estas promoções se esgotar, sua empresa volta à estaca zero! Jogo ou marketing digital?

O foco correto nos sites de compras coletivas

Ao analisar o que foi feito no passado também é possível descobrir como evitar cair nesse círculo vicioso. Percebe-se que as empresas bem-sucedidas foram as que fizeram dos descontos um trampolim para tornarem-se mais conhecidas em um curto espaço de tempo.
E não se limitaram a isso. Investiram em outros canais de publicidade e propaganda, no aprimoramento e diversificação, nos diferenciais e atributos dos produtos, enfim, na criação de uma identidade para suas marcas. Desta forma, deixaram de depender dos descontos para atrair consumidores.
Portanto, se há uma lição para ser aproveitada no presente é que o investimento nossites de compras coletivas seja uma opção dentro de uma estratégia mais abrangente, de longo prazo, que possa ser sustentável e oferecer outros atrativos além dos preços baixos. Para isso, seguem três questionamentos básicos, mas que não deixam de ser importantes.

Antes de investir em um site de compras coletivas avalie
 

  1. Qual o objetivo da sua promoção? Ter uma fila de clientes atrás do seu produto/serviço ou do desconto que está oferecendo?
     
  2. Sua promoção é viável? Você está pronto para atendê-la em termos operacionais para satisfazer os seus clientes? Visite o Reclame Aqui, veja quantas empresas não pensaram nisso e agora estão arcando com as conseqüências.
     
  3. Qual o próximo passo? Ou seja, chamando a atenção com a promoção, o que você vai oferecer em termos de diferenciais para fidelizar os clientes e fazer com que eles comprem novamente?
Fonte: E-Commerce News

sábado, 1 de janeiro de 2011

A história do lápis

O menino olhava a avó escrevendo uma carta. A certa altura, perguntou:


- Você está escrevendo uma história que aconteceu conosco? E por acaso, é uma história sobre mim?
A avó parou a carta, sorriu, e comentou com o neto:


- Estou escrevendo sobre você, é verdade. Entretanto, mais importante do que as palavras é o lápis que estou usando. Gostaria que você fosse como ele, quando crescesse
O menino olhou para o lápis, intrigado, e não viu nada de especial.


- Mas ele é igual a todos os lápis que vi em minha vida!


- Tudo depende do modo como você olha as coisas. Há cinco qualidades nele que, se você conseguir mantê-las, será sempre uma pessoa em paz com o mundo.

“Primeira qualidade: você pode fazer grandes coisas, mas não deve esquecer nunca que existe uma Mão que guia seus passos. Esta mão nós chamamos de Deus, e Ele deve sempre conduzi-lo em direção à Sua vontade”.

“Segunda qualidade: de vez em quando eu preciso parar o que estou escrevendo, e usar o apontador. Isso faz com que o lápis sofra um pouco, mas no final, ele está mais afiado. Portanto, saiba suportar algumas dores, porque elas lhe farão ser uma pessoa melhor”.

“Terceira qualidade: o lápis sempre permite que usemos uma borracha para apagar aquilo que estava errado. Entenda que corrigir uma coisa que fizemos não é necessariamente algo mau, mas algo importante para nos manter no caminho da justiça”.

“Quarta qualidade: o que realmente importa no lápis não é a madeira ou sua forma exterior, mas o grafite que está dentro. Portanto, sempre cuide daquilo que acontece dentro de você”.


“Finalmente, a quinta qualidade do lápis: ele sempre deixa uma marca. Da mesma maneira, saiba que tudo que você fizer na vida irá deixar traços. Procure ser consciente de cada ação”.

Por Paulo Coelho

















quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Nelson Mattos, o Brasileiro do Google

Formado nos anos 80 pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul em ciências da computação e com doutorado em Kaiserslautern, na Alemanha, Nelson Mattos é o único brasileiro nos altos escalões do Google. Como vice-presidente de engenharia do buscador para a Europa, Oriente Médio e África, ele chefia 500 engenheiros distribuídos em 12 capitais européias. Mattos fala em entrevista sobre sua carreira, a estratégia da empresa e o futuro da internet.

O cargo de vice-presidente de engenharia do Google para Europa, Oriente Médio e África tem a ver com a estratégia de regionalização?
O Google trabalha no mercado consumidor - se você olhar, todos os produtos do Google estão voltados para o usuário final como os produtos de busca, o Google Maps ou o Google Earth. Quem interage com esses produtos é o usuário final. Obviamente o usuário final é diferente em cada lugar do mundo. O tipo de consulta que os brasileiros fazem é diferente do tipo de consulta que os suíços fazem na Suíça. O comportamento dos russos ou chineses também difere. Por isso é importante que o Google tenha a percepção das diferenças que existem entre seus usuários. Por exemplo: a gente sabe que o adulto no norte da Europa lê, em média, três jornais por dia. Já na Suíça essa média é de um jornal por dia. Obviamente a maneira pela qual uma pessoa da Noruega utiliza a internet é muito diferente da maneira que um suíço utiliza.

É por isso que o Google desenvolve seus produtos em diferentes países?
Sim. Desde o início, o Google tinha a visão de que para você poder criar produtos que são relevantes a cada usuário no mundo inteiro, é necessário ter engenheiros de desenvolvimento que tenham um bom conhecimento do comportamento e das necessidades de cada usuário. E isso é impossível de fazer se você tem todo o desenvolvimento centralizado na Califórnia. Afinal, o pessoal que está sentado na Califórnia vai obviamente entender muito bem as necessidades da população americana. Mas você acredita que eles entenderiam a necessidade dos brasileiros, dos chineses ou dos noruegueses? Obviamente que não! Por isso, já há bastante tempo, a Google criou essa estratégia de abrir centros de pesquisa e desenvolvimento em vários países do mundo.

Qual é o papel dos diferentes centros de pesquisa no mundo?
A idéia, quando se começou a criar esses centros, é que cada um deles teria duas funções: trabalhar em produtos e iniciativas que vão ter impacto global - por exemplo, o Google Maps, cujo grande parte do desenvolvimento é feito em Zurique, mas que é utilizado no mundo todo - e, finalmente, adaptar os produtos da Google, desenvolver novas extensões ou mesmo novos produtos que são específicos para um mercado local. Um exemplo disso é o Google Transit, uma extensão no Google Maps que permite obter informações sobre meios de transportes públicos para ir de um local ao outro, seja de ônibus, trem, metrô ou caminhando. Obviamente essa é uma extensão extremamente popular na Europa. Inclusive, recentemente, a gente lançou uma extensão que reúnes todos os dados das companhias de trens e bondes aqui da Suíça.

Mas por que alguns produtos da Google "pegam" em alguns mercados e outros não?
Nós concluímos que muitas dessas extensões, feitas para um mercado local, podem ter aplicação em outros lugares. Se você pegar o Transit, que é extremamente utilizado em alguns países da Europa, ele também é utilizado nos Estados Unidos, sobretudo em grandes cidades com bons sistemas de transporte. Porém se você olhar as áreas rurais nos EUA, praticamente ninguém utiliza esse serviço.

Essa lógica explica por que o Orkut, uma rede social criada por um funcionário nos Estados Unidos, um turco, só ter sucesso no Brasil?
Sim, esse é um bom exemplo. Trata-se de um produto que teve uma receptividade extremamente forte no Brasil, mas também na Índia. Essa situação cria um círculo de desenvolvimento interessante. Nesse caso, poderíamos falar no ciclo de desenvolvimento de produtos, algo que é extremamente curto na Google. Ele vai de dois a três meses. A idéia é lançar alguma coisa no mercado e ver como os usuários vão reagir. Pelo fato de trabalharmos diretamente com o usuário final, ao lançar um protótipo, algo simples, podemos saber imediatamente se ele está gostando ou não e o que está faltando para melhorar o produto. Isso cria novos requerimentos que são colocados no desenvolvimento. Em três meses eu posso lançar mais alguma coisa e satisfazer aquelas exigências. Com isso eu recebo mais feedbacks e assim continua a história.

Quer dizer que o próprio usuário termina participando no desenvolvimento dos produtos da empresa?
O fato de o Orkut ter sido bastante popular no Brasil fez com que a gente recebesse cada vez mais feedbacks da população brasileira. Isso fez com que ele se tornasse cada vez melhor para aquele ambiente no Brasil. Porém o Orkut não se tornou popular em outros países. Isso é um exemplo bem interessante, porque mostra a importância de você ter centros de desenvolvimento no mundo todo. Eu até diria que essa é uma das grandes diferenças entre o Google e outras empresas com centros de desenvolvimentos centralizados. Com isso temos condições de criar produtos específicos, que possam satisfazer as exigências de cada usuário e entender culturalmente o que aquela população precisa.

Quais são os futuros desafios?
Nosso objetivo, a missão do Google, é organizar toda a informação do mundo. Em segundo lugar, fazer com que essa informação esteja disponível a qualquer usuário e que seja útil para ele. Trata-se de um desafio, pois nem toda a informação no mundo é baseada em texto. O volume de imagens, vídeos e áudios que cresce na internet é algo fenomenal. Apesar de dispormos de produtos que já têm condições de buscar imagens, textos, etc com uma única consulta, ainda temos muitas desafios pela frente. No universal search do Google, por exemplo, com uma única consulta você pode receber resultados que são textos, páginas web, imagens, vídeos, áudios e assim por diante.

Encontrar imagens no Google é algo ainda bastante complicado. Como é possível calibrar um motor de procura para encontrar dados tão diversos?
No momento os usuários estão satisfeitos com a interface que oferecemos no Google. Mas se você começar a pensar que, a longo prazo, o volume de imagens e vídeos vai se tornar cada vez maior na Web, podemos imaginar um momento em que o usuário queira uma interface diferente para a sua busca. E se você tem uma fotografia em mãos e quiser saber se existem outras fotos parecidas com ela? Ou se você tem uma foto da Torre Eiffel e necessitar de outras, pois está fazendo uma reportagem sobre o tema? Seria muito mais fácil se o usuário pudesse dizer: "busque as fotos parecidas com esta". Essa interface seria completamente diferente, porque você não vai escrever em textos o que está procurando. Por isso é que ainda existe muita pesquisa nessa área. Não apenas para entender melhor a semântica desses dados, que são ainda menos estruturados, mas também para tentar entender qual é a melhor interface para o usuário ou qual a melhor maneira de expressar o que você está procurando na internet.

Qual a importância das redes sociais para o Google? Você acredita que a Web 2.0 é realmente o futuro da rede?
Isso é muito difícil de saber. Quem poderia imaginar, há 10 anos, que a internet ia ser o que é hoje. No momento essa é uma tendência bastante popular. Deixe-me dar um histórico para você entender porque esse fenômeno é tão interessante. Se você olhar o que aconteceu na área tecnológica nos últimos 10 anos, ocorreu uma redução significativa no custo dos processadores, do arquivamento e das ferramentas para a criação de conteúdo. Há alguns anos, somente empresas tinham condições de criar um site e começar a disponibilizar conteúdo para seus usuários. Tudo era muito caro. O custo de armazenamento, de processamento daqueles dados, exigia máquinas grandes. Hoje em dia, qualquer telefone celular tem uma câmara fotográfica. O preço de armazenamento é medido em centavos. Qualquer usuário do mundo tem a possibilidade de digitalizar uma imagem e armazenar. Ao mesmo tempo foram criadas ferramentas - a maior parte delas é de uso livre - que permitiu que esses usuários começassem a colocar seu conteúdo na rede.

E como o Google se enquadra neste contexto?
Como a missão da Google é organizar todas as informações do mundo, obviamente aquelas que estão sendo criadas dentro de um ambiente de redes sociais - onde você está interagindo com seus amigos, colocando suas imagens, escrevendo no chat - também são informações. E é claro que achamos importante poder organizá-las e torná-las disponíveis a qualquer pessoa. Se você tiver procurando imagens, é possível que elas estejam armazenadas dentro de um sistema de rede social. A estratégia do Google não é necessariamente competir com todos os sistemas embora tenhamos o Orkut, cujo sucesso na Índia e Brasil nos deixa orgulhosos. Porém existe a necessidade de permitir a compatibilidade e o transporte de dados entre elas.

Porém não existe o problema das diversas redes sociais estarem baseadas em plataformas técnicas completamente distintas?
Exatamente. Cada sistema é completamente diferente do outro. A estrutura interna do Orkut é completamente distinta do Facebook, que também é distinta do MySpace.

O projeto OpenSocial do Google não tem o objetivo de ser uma kinguagem aberta nessa área?
O OpenSocial é uma plataforma que permite a troca de dados entre todos esses sistemas. Essa é uma tentativa de se criar uma norma, que permitiria qualquer usuário de interagir com esses sistemas e, provavelmente, as empresas criarem aplicativos que teriam condições de rodar em qualquer um deles. Quais seriam os benefícios? Em primeiro lugar, continuar incentivando a inovação na internet. Se existem 10 ou 20 sistemas de rede social, uma empresa que teria uma idéia magnífica ao criar um novo aplicativo para redes sociais, só precisaria desenvolvê-lo uma vez. Ele rodaria então no Orkut, no Facebook e em qualquer outro sistema. Da mesma maneira, como hoje em dia as interfaces dos motores de busca são praticamente as mesmas, se você tem uma idéia de um aplicativo para rodar em cima de um sistema, com essa tecnologia ele teria condições de rodar na Google e em todos os outros. Esse é o primeiro objetivo.

Como o usuário poderia aproveitar essas plataformas únicas?
A segunda grande vantagem é para o usuário. Muitos deles utilizam mais do que uma rede social. Muitas vezes, eles têm um ambiente utilizado na área profissional e outros na área privada. Mas muitas vezes os contatos podem ser profissionais e privados ao mesmo tempo. Não seria então interessante para você permitir que esses dados sejam extraídos de um e colocados no outro, obviamente sob o controle pessoal? Um sistema aberto tornaria bastante fácil essa ação. Ou até mesmo se o usuário não estiver satisfeito com um sistema de rede social e queira utilizar uma outra rede, ele poderia retirar os seus dados, colocar em um outro sistema e continuar a utilizá-los.

Muito falado também é o projeto Google Mobile. Como chefe de pesquisa na Europa, qual o seu papel nessa área que parece ser estratégica para a empresa?
O Google Mobile é um projeto extremamente importante para nós. Grande parte do seu desenvolvimento ocorre na Europa. O centro de pesquisas de Londres é o centro de desenvolvimento principal do Google na área de telefonia celular. É um grupo que trabalha diretamente para mim. Por que ele é importante? Hoje em dia, para cada PC vendido, são vendidos três celulares. Se você pensar em países do Terceiro Mundo, a maioria dos usuários tem acesso à internet através de celular e, provavelmente, nunca terão condições financeiras de comprar um PC, pelo menos no momento. A grande pergunta é que, mesmo se o preço dos PCs continuar a cair e se tornar acessível a todos, será que os usuários vão querer realmente utilizá-lo? Ou será que eles irão gostar tanto da interface do celular, que mesmo o barateamento dos computadores não será um grande incentivo ao seu uso? O Google acha que o Mobile é uma grande possibilidade de fazer com que as informações disponíveis na Web sejam acessíveis a qualquer usuário.

Poderemos então começar a aposentar nossos computadores e passar só a utilizar o celular?
Eu não diria necessariamente que este será o fim do computador. Pelo menos hoje em dia, e talvez nos próximos dois ou três anos, eu não conseguiria me imaginar abandonando o meu laptop por um celular num ambiente empresarial. Mas existe uma população enorme que não terá acesso a um PCs nos próximos anos. Porém eles têm acesso ao celular.

Fonte: Jornal do Commercio por Alexander Thoele da agência pr newswire